Tecnologias de Localização na Pandemia do COVID-19

Atualmente o Brasil é o país com maior número de casos de COVID-19 na América Latina. Segundo uma pesquisa do Centro de Informação e Informática em Saúde da USP (CIIS-USP) o número real de pessoas contaminadas já chega a 1.657.752 (podendo variar entre 1.345.034 e 2.021.177), desta forma, o país já seria o novo epicentro mundial da doença, ultrapassando os EUA em número de casos. Esses dados estão disponíveis no portal do CIIS-USP para controle da COVID-19. Por isso, esses números fica clara a necessidade do uso de tecnologias de localização contra o combate ao COVID-19.

grafico de estimativa de casos de covid-19 no brasil
Gráfico de estimativa de casos de COVID19 – Brasil

Aqui no Brasil, atualmente, o índice de isolamento social é de cerca de 42%. No dia 22 de março houve um pico nesse valor, chegando a 62%.

Ao final do mês de Abril alguns estados tomaram medidas de relaxamento da quarentena, como a abertura de lojas e shoppings. Por exemplo, Florianópolis revogou o decreto que proibia o comércio de rua, o que acarretou no aumento da circulação das pessoas. Por isso, o número de pessoas infectadas disparou, chegando a mais de 127 mil casos confirmados e cerca de 8.600 mortos.

indice de restrição na america latina
Gráfico das medidas restritivas dos países da américa latina. Fonte BBC.

Em contrapartida, certos países têm surpreendido no que se refere à implementação de tecnologias de localização, com o objetivo de evitar aglomerações de pessoas. 

Na Coreia do Sul, por exemplo, é usado um aplicativo que monitora mais de 30 mil pessoas, por meio de GPS e tomada de dados periódica. Atrelado a uma testagem em massa da população, é garantido, desse modo, uma maior confiabilidade nos dados sobre pacientes infectados ou com suspeitas de COVID-19.

Em Taiwan foi criada uma tecnologia capaz de rastrear dados de dispositivos móveis e alertar as autoridades quando uma pessoa que deveria estar em quarentena se localiza na rua. Ela foi chamada de “Cerca Eletrônica” e tem o objetivo de impedir a circulação de pessoas infectadas e evitar o contágio da doença. De acordo com Jyan Hong-wei, chefe do Departamento de Segurança Cibernética de Taiwan.

Localização de Aglomerações do COVID-19

No dia 2 de abril de 2020 algumas operadoras de telefonia confirmaram que cederiam dados de localização ao governo brasileiro com o objetivo de aprimorar o rastreamento de dispositivos móveis. Logo após esse lançamento, o estado de São Paulo se tornou um dos maiores utilizadores desta tecnologia para mensurar o nível de isolamento da população.

Esses dados são obtidos a partir da triangulação das torres de sinal de telefone. O funcionamento se dá de forma: cada torre está disposta em um triângulo e a área do sinal é dividido em três setores de 120º (alfa, beta e gama), como é possível observar na imagem abaixo.

imagem ilustrativa de tecnologias de localização
Dados obtidos de apenas uma torre. Fonte Tecmundo.

Cada torre tem a capacidade de identificar a distância dos dispositivos móveis por meio da medição da força do sinal e do tempo de resposta. Apesar disso, esses dados não são precisos e apresentam um certo erro. Desse modo, observa-se que uma única torre identifica, de forma imprecisa, a localização do aparelho.

Entretanto se essa técnica for combinada à uma segunda torre ao mesmo tempo, há um ganho de precisão, além disso, se forem combinados os sinais de 3 torres o ganho é maior como visto na figura abaixo.

tecnologia de localização por meio de triangulação
Triangulação dos dados. Fonte Search Engine Land

Em suma, usando essa tecnologia de localização é possível determinar a posição de um usuário com uma precisão aproximada de 2km², equivalente a 280 campos de futebol. Porém esse número pode aumentar em zonas rurais e locais afastados, onde normalmente existem poucas torres de telefone.

Tecnologias de Localização no Combate ao COVID-19

Além disso, neste período de crise, houve a iniciativa da In Loco, uma companhia pernambucana de segurança digital, na obtenção de dados de geolocalização dos celulares. Ela está presente em cerca de 60 milhões de celulares, por meio de aplicativos que usam sua tecnologia, a fim de detectar comportamentos atípicos e impedir fraudes bancárias ou para enviar propaganda geolocalizada.

A ferramenta consegue realizar, por exemplo, a contagem de visitas, de forma anônima, a hospitais, postos de saúde e serviços essenciais, a fim de possibilitar a órgãos competentes a alocação adequada das pessoas e evitar superlotação.

Atualmente a In Loco já disponibiliza os índices de isolamento social nos 26 estados do Brasil mais o Distrito Federal. Como podemos observar na imagem abaixo, esses índices ainda estão muito abaixo do ideal (70%).

tecnologias de localização criam um indice de covid-19 no brasil
Fonte: In Loco

Mas Como Funciona?

Às empresas parceiras é disponibilizado um SDK (Software Development Kit), o qual, é incorporado ao aplicativo desenvolvido por essas empresas. Assim, ao instalar a aplicação, os dados de localização do usuário são enviados para os servidores e armazenados com implementação de criptografia, como o hash, um tipo de algoritmo que encripta um dado tendo como base uma chave, apenas com ela é possível decriptar a informação e utilizá-la normalmente.

A localização é obtida por meio do cruzamento dos dados dos sensores do dispositivo móvel do usuário. Por exemplo o Wi-Fi, o acelerômetro, o giroscópio e a bússola. A precisão desses dados varia de 1 a 3 metros. Pode-se usar o GPS como parâmetro de comparação, o qual possui margem de precisão de 9 metros.

Como isso impacta na minha vida?

As informações geradas têm por objetivo servir de guias nas fases de formulação e implementação de políticas públicas. Desse modo, baseado no que foi apresentado anteriormente sobre a qualidade dos dados gerados pelas operadoras de telefonia, há um indicativo de que esses dados não refletem a realidade ou não trazem consigo pequenas variações de posição que também são fatores de disseminação do vírus.

Dados irreais usados como parâmetro de implementação de políticas públicas geram problemáticas sociais graves. Assim, por apresentarem menos torres de telefonia em seu entorno, comunidades carentes e periferias são os locais mais atingidos por esse tipo de problema.

Quer saber mais como tecnolgias ajudam pessoas e negócios durante tempos de crise? Leia este blogpost!

Autores

Ricardo Morato

Vituriano Xisto

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