Concepção de Produtos: Como Funciona e Qual é o Papel do Designer?

capa texto

O que seria exatamente a concepção de um produto? De maneira resumida, seria a elaboração de uma solução, seguindo um passo a passo e fazendo uso de algumas ferramentas que auxiliam no processo, com o objetivo de resolver um problema. E, para essa elaboração, é fundamental a existência de um time com especialidades diferentes (produto, design, desenvolvimento, até áreas mais diferentes, como financeiro por exemplo). Assim, o papel do designer para a concepção de produtos é fundamental com as técnicas de Design Thinking.

Mas existe uma base para todo esse processo: o design thinking, que trás alguns métodos interessantes e também a ideia de que existe uma lógica por trás de todo produto. Essa metodologia  nos ajuda a analisar e projetar novas soluções que tenham significado para as pessoas e é bastante aplicada em situações empresariais.

O Que É Design Thinking?

O design thinking é sustentado por 3 pilares principais: A empatia, ou seja a sensibilidade de entender a dor do outro, seus comportamentos, contexto social – afinal, como iremos ajudá-lo se não entendemos a fundo o problema? A colaboração, trazendo a ideia dos grupos multidisciplinares, onde cabeças com conhecimentos diferentes se complementam nas ideias. E o terceiro pilar é a experimentação, aprender praticando e colhendo feedbacks, permitindo assim o aperfeiçoamento e a redução de falhas.

Para ajudar a ilustrar essa metodologia, o designer Daniel Newman nos ajudou bastante com sua representação:

representação do rumo da concepção de produtos

Podemos observar que, nas primeiras etapas, as ideias ainda estão completamente embaralhadas, mas medida que as etapas avançam, elas vão se organizando e encontrando o rumo à solução. 

Mas finalmente, que etapas são essas? Nesse artigo vou apresentar pra vocês esse passo a passo do design thinking para a concepção de um produto, um pouco mais ligado a soluções web, e também o papel que o designer desempenha nesse processo.

Em cada cada etapa são usadas técnicas e ferramentas que são escolhidas a partir do resultado que se deseja obter para o projeto. Todas essas fases e técnicas são bastante flexíveis no geral, podendo ser facilmente moldadas para se adaptar a cada situação, não precisando necessariamente serem seguidas linearmente.

Então vamos ao que interessa.

Imersão

Como o próprio nome diz, esse é o momento de imergir no problema, tendo como principal objetivo colher o máximo de insumo possível e assim definir o escopo do projeto, para servir como base de conteúdo para as próximas fases.

A etapa só termina após o grupo ter entendido e mapeado todo o fluxo de todo o processo juntamente com as dores enfrentadas.

Levantamento de hipóteses: São feitas entrevistas com os envolvidos para coletar o máximo de informação possível e várias dúvidas e questões vão surgindo sobre o problema, que vão sendo constantemente validadas com os mesmos.

Estudo: A equipe vai estudar e mapear o contexto desse problema, tanto da visão do seu cliente, quanto, em alguns casos, da visão do cliente do seu cliente, procurando entender suas principais dores e também reconhecer todos os atores envolvidos nesse contexto, que serão influenciados pela solução.

Mapa do fluxo do processo

  • Listar os atores verticalmente
  • Listar as principais ações de cada um deles horizontalmente
  • Ligue todas as ações seguindo uma ordem cronológica
  • Esse mapa irá facilitar na organização das ideias
  • Segue abaixo um exemplo para facilitar o entendimento:
mapa do fluxo de processos

Pesquisa

Essa é a etapa de analisar tudo que foi colhido e sintetizar, surgindo vários insights a partir disso, auxiliando na identificação de padrões e, com isso, já é possível se aproximar do que será a solução. Várias ferramentas podem ser usadas nesse processo:

Mapa de empatia, já temos um conteúdo sobre o que é e como elaborar um mapa de empatia! Clique no link para saber mais!

Persona: É definido um público alvo e, a partir dele, é criado um personagem fictício que o represente, com nome, idade, profissão, características físicas e psicológicas, dificuldades e desafios, entre outros.

Análise de similares e concorrentes: São pesquisadas soluções que já existem para resolver o problema em questão, sendo analisado os pontos positivos e negativos de cada e que funcionalidades podem ser usadas.

Jornada do usuário: É feito um passo a passo detalhado das interações do usuário, podendo ser com a solução ou suas interações normais antes da existência dela. É necessário especificar suas ações, objetivos, pensamentos e emoções.

Mapa de valor: É a mesma estrutura do mapa de fluxo do processo, porém com valor agregado, ou seja, a visão de melhoria de como será no futuro após a solução ser implementada.

Mood Board: Quadro para organizar visualmente a ideia, você deve inserir tudo que sirva de inspiração, como fotografías, cores, tipografías, tudo o que quiser.

Ideação

O objetivo dessa fase é a geração de ideias inovadoras que estejam alinhadas ao problema trabalhado, auxiliada por ferramentas que estimulam a criatividade. 

Essas ideias devem ser frequentemente validadas pelo cliente ou usuário, sendo interessante, se possível, a participação deles nesse processo, para uma maior assertividade. Segue as ferramentas que podem ser utilizadas:

Mapeamento de features

É feito uma listagem de todas as funcionalidades que devem ter na solução (ex: Login, cadastro, visualização de gráficos…) e também os componentes abarcados em cada uma delas (ex: excluir, editar, nome, email…).

Moscow

Estruturação de prioridades: É pontuado os elementos que devem ter na solução, os que devem ser considerados ao máximo, os que poderiam ter e os que gostaria que tivesse, porém apenas se sobrar tempo.

Crazy 8

Ideal que seja feito em folha A4 dividida em 8 partes. Em 8 minutos cada participante terá 8 minutos para desenhar 8 soluções para o problema proposto, podendo ser adaptado de acordo com a complexidade do problema, mas o objetivo é explorar a agilidade, para estimular insights. As ideias podem ou não ser compartilhadas e votadas pelo grupo. 

Protótipo em baixa

Cada membro desenha um esboço da solução, se for um site por exemplo, são desenhadas as principais telas e é feito um sistema de votação para decidir qual delas serão usadas na solução, quanto mais telas, mais votos disponíveis para cada participante.

Storyboard

Os esboços feitos são organizados de maneira que seja possível visualizar uma sequência para que se tenha uma história. Essa ferramenta normalmente é usada para criação de filmes, animações e jogos.

Hierarquia de atividades

É feita uma lista ordenada numericamente, para hierarquizar as ações realizadas na solução, detalhando o máximo possível, por exemplo:

  1. Login
    1. Usuário
    2. Senha
      1. Esqueci a senha
        1. Enviar senha para o email
    3. Entrar
  2. Cadastro

Fluxo da solução: Modelo de fluxo, onde os atores ficam alinhados verticalmente e as ações, nesse caso da solução, ficam alinhadas horizontalmente:

modelo de fluxo da solução

Prototipação

Essa é a fase em que entra o papel principal do designer durante a concepção de produtos, onde tudo o que foi pensado nas etapas anteriores será colocado em prática. Assim, será criado um protótipo de forma visual para representar essas ideias concretamente, com objetivo de possibilitar validações, com usuários, clientes, etc. 

Existem 3 níveis de fidelidade do protótipo:

Baixa: Esboço manual da solução, o desenho no papel, que ocorre normalmente na fase de ideação, não precisando ser feito necessariamente por um designer.

Média: O chamado Wireframe, produzido em programas de prototipagem como Adobe XD, Figma, Sketch, é a o layout da estrutura do protótipo, onde ficarão dispostos os elementos como imagens e texto. A especialidade técnica do papel do designer destaca-se mais nessa fase da concepção de produtos.

Alta: Chamado de Mockup, esse será o resultado final, visualmente completo, com cores, fontes, estrutura, toda a interface definida.

Conclusão

Enfim, durante toda a concepção de produtos, é fundamental o papel do designer, desde a imersão e ideação, até a prototipação. Afinal, o entendimento maior do problema cria soluções melhores, o que é verdade especialmente para designers.

Então, o que acharam? Entenderam como é feita uma concepção de produtos e como aplicá-la em sua empresa? Bastante coisa né? Por isso é fundamental que a equipe esteja unida e alinhada , se organize bem e documente todo o processo. No final o resultado será espetacular! Entre em contato com o CITi para te ajudar na sua concepção!

Autora

Nathalia Carvalho

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